Tecnicamente a monotipia é a forma mais simples de impressão. É um desenho ou pintura feito sobre uma superfície lisa, usualmente vidro, plástico (acrílico ou celulóide) ou metal (cobre ou alumínio). Enquanto este desenho ou esta pintura estiver com a tinta fresca, uma folha de papel é colocada sobre o mesmo e a impressão é obtida através da pressão no reverso da mesma, seja com o emprego de uma colher, ou baren, ou com emprego de uma prensa, a mesma usada na impressão de gravuras em metal.
A este processo de transferência direta chama-se (mono) = única e (tipia) = impressão.
Devido ao fato da monotipia produzir somente uma única impressão ao invéz de impressões múltiplas, existe uma certa relutância por parte do mercado de arte de chamar a monotipia como gravura.
As segundas ou terceiras impressões tiradas desta mesma chapa denominam-se “fantasmas”.
As monotipias tiveram um grande incremento durante o século XIX, apesar de que os conhecimentos necessários para a feitura das mesmas já existirem desde o século XV.
Cerca de meados de 1960, dois pintores, Rembrandt van Rijn, em Amsterdã e Giovanini Benedetto Castiglione, em Genova, começaram a manipular a tinta de impressão nas chapas de suas gravuras, de modo a obterem uma impressão em tom contínuo, análogo às aguadas obtidas em uma aquarela (convem lembrar que àquela época ainda não se havia descoberto o processo da aguatinta).
A única prática de gravura existente àquela época que produzia um tom contínuo era o mezzotint, que ainda estava na sua infância.
Ambos se envolveram profundamente com as texturas da tinta e executaram centenas de desenhos usando pincéis e outros instrumentos que produziam pinceladas largas.
Em suas gravuras, ambos conseguiram efeitos tonais através do uso das rebarbas da ponta seca, de modo que a superfície da chapa apresentasse um tipo de abrasão, ou utilizando morsuras intencionais ou mesmo acidentais, tipo granular.
Uma diferença básica separa os dois: Rembrandt deixava uma película de tinta em certas áreas de suas chapas de cobre gravadas, enquanto Castiglione desenhou sobre a tinta aplicada em uma chapa de cobre. Foi, pois, Castiglione o primeiro artista a produzir realmente a verdadeira monotipia.
Entre
O maior inovador do processo e praticante da monotipia foi Edgar Degas, no século XIX. Camille Pissaro tomou conhecimento das monotipias de Degas na 3ª. Exibição dos Impressionistas, em 1877, e a partir daí eles tentaram combinações complexas em um projeto de gravuras (1879-1890).
Outros artistas juntos ao círculo de amizade de Degas e que tentaram a monotipia foram: Paul Gauguin, Mary Cassatt, Toulouse-Lautrec e Edouard Manet.
No século XX, artistas como Picasso, Matisse, Georges Rouault, Jean Dubuffet, Max Ernest, Paul Klee, Jasper Jones e Joan Miro, expandiram as possibilidades da monotipia.
Na América do Norte, diversos artistas também produziram monotipias, entre eles: Maurice Prendergast, Frank Duveneck, William Merritt Chase, Charles A. Walker, Robert Henri e John Sloan. No Brasil temos os trabalhos fantásticos de Mira Schendel que se destacaram muito nos ultimos anos.

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